Porque fecho os olhos



Não me despeço até que seja indispensável. Mas, ás vezes, acontece de ser preciso dizer adeus. Não saber o que fazer e não ter palavras nessas horas não  redime ninguém. Talvez seja como quando com uma fotografia em mãos os olhos conversam. Não é preciso palavra alguma diante de uma fotografia. Cada ponto no papel é a mera aparência da lembrança. No fundo, olhar pra ela é olhar pra dentro, e o perfil desenhado só lembra que há ausência.

 É quase um desespero. Mas é um gesto delicado, mesmo sem nenhuma palavra preparada, um simples adeus, tchau, que sai mastigado com voz e sentimento. Existe sempre à sombra um inaudito nunca mais. Mesmo que não chore. E mesmo que não chore, relembro tudo, e trago para perto a lembrança para outra vez, sem jeito, esboçar uma despedida. Eu evito, mas não me canso de dizer adeus.