Quase tudo acaba






Aqui vai um texto que escrevi um tempo atrás. Na época, ainda em Madrid, faltavam-me quase um mês para o início das aulas; agora, faltam-me 5 dias. Nas voltas que a vida dá a gente mal se aguenta. Ontem, revirando as coisas de dentro, não sei  o porquê. Eu olhei pra o quarto em que moro, cada coisa em seu lugar e a pergunta não quis ir. Agora a lembrança não me salva mais. Vi na estante os livros em ordem, do maior para o menor, eu vi que não fazia sentido. Eu vi, como se estivesse frente ao espelho, olhos dentro dos meus olhos. Não queria viagem, não queria Paris. Não desejei o que nunca tive, ontem, quis o que sempre foi meu.




"As férias já me acabam. Na mala, a roupa suja; na sola dos sapatos, poeira de quatro países. Ainda é difícil acreditar que estive onde estive e que realmente vivi o que vivi. Parecia não ser verdade. Parecia não ser real, ou ser real demais. Só cabia na fotografia. Aquilo tudo, tantas paisagens e experiências não cabiam nos meus olhos. Eu inda custo a intender. E agora que a maior parte já é passado, penso que foi um sonho. Mas não foi.

Foi muito bom, as coisas ainda estão vivas dentro de mim. Hora ou outra me vêm à lembrança uma delas e sou assaltado de um sentimento muito bom. Que nem é saudade, mas é bonito como. E quando a gente tem muita gente a quem quer bem, não tem jeito, a não ser levar todo mundo consigo. Mesmo que seja em ausência, e passeando por um lugar bonito, eu queria  os olhos outros pra dividir. Ía-me lembrando de quem no o quê da paisagem repousaria um olhar mais demorado. As comidas mais esquisitas que eu queria também pra um amigo distante. Até porque lembrava-me das conversas em que suspirávamos juntos: ahhh, Paris... O que não deve ser. "